OMS reconhece propriedades medicinais do Canabidiol (CBD)

Após anos de estudos e recolha de provas sobre os benefícios do uso terapêutico da canábis, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu o potencial medicinal do canabidiol (CBD) e considerou que o seu consumo não apresenta qualquer perigo de dependência nem riscos para a saúde.

Um relatório preliminar do Comité Especialista em Dependência de Drogas (ECDD), tornado público no passado mês de Dezembro, reviu as posições da OMS em relação a duas substâncias: o opiáceo Carfentanil e o Canabidiol (CBD), um dos cerca de 100 componentes químicos da planta Cannabis Sativa L..

No relatório, a OMS recomenda alterações ao enquadramento destas duas substâncias nas listas que os países utilizam para regulamentar a produção, venda e consumo de drogas.

“A OMS reuniu provas científicas mais robustas sobre o uso terapêutico e os efeitos secundários da canábis e dos seus componentes”, pode ler-se na notícia publicada no site da organização, onde se explica ainda que, respondendo ao interesse crescente sobre uso da canábis medicinal, a OMS decidiu rever a sua posição sobre o CBD. Assim, a OMS assumiu não só que o consumo de CBD é seguro, mas também que não cria risco de dependência, reconhecendo ainda que existem provas “de estudos feitos em animais e em humanos” que demonstram que o seu uso “pode ter valor terapêutico para as convulsões devidas à epilepsia e outras condições semelhantes”.

Além da epilepsia, a OMS tem ainda “provas preliminares” de que este canabinóide “também pode ser útil no tratamento do Alzheimer, cancro, psicoses, Parkinson e outras doenças graves”, conta a revista Forbes.

“O canabidiol (CBD) é benéfico em algumas patologias, não apresenta quaisquer riscos para a saúde nem perigo de dependência”

Apesar de este ser um enorme passo no caminho da legalização do CBD, ainda vai ser preciso esperar para o ver à venda em farmácias. Num comunicado publicado no dia seguinte, a Organização Mundial de Saúde alerta que o CBD por si só não é uma substância classificada, mas que é um componente da canábis e que, como para fins medicinais costuma ser apresentado como tintura ou extracto desta planta (incluída na Convenção Única de 1961 das Nações Unidas sobre Estupefacientes), para todos os efeitos, ainda é uma substância proibida.

Desta feita, a OMS afirma que a informação de que dispõe, para já, “não justifica qualquer mudança na sua classificação nem justifica a classificação desta substância” por si só, remetendo uma revisão mais profunda para Junho de 2018, quando a comissão estudar “os extractos e as preparações que contêm CBD quase exclusivamente”, aquando de uma revisão profunda da canábis e dos seus componentes para fins médicos.

“A sua não-classificação”, conclui a OMS, “significa que o CBD não deve ser sujeito a estritos controlos internacionais, incluindo para produção e venda”.

O Fentanyl tem sido responsável por milhares de mortes por overdose nos EUA e no Canadá.  Foto: DR

Carfentanil, altamente letal

Ao contrário do CBD, a OMS alertou, no mesmo artigo, para o perigo do uso de Carfentanil, um opiáceo sintético tradicionalmente usado como anestésico para a captura de animais de grande porte e 100 vezes mais potente que a heroína.

Comercializada, por exemplo, enquanto medicamento com o nome Fentanyl, esta e outras substâncias similares estão a ser responsáveis pela morte por overdose de milhares de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá.

“O Carfentanil pode ter efeitos letais em doses extremamente pequenas, equivalentes a apenas uns grãos de sal”, explica-se no relatório, mencionando ainda o seu potencial uso como arma química.

Na maior parte dos países europeus o CBD encontra-se na forma de suplemento alimentar.   Foto: DR

Canabidiol (CBD)

O enquadramento legal do canabidiol é bastante confuso e tem estado em permanente mudança nos últimos anos. O CBD é o segundo canabinóide mais abundante na canábis (Cannabis sativa L.), entre os mais de 60 que a planta tem com comprovadas propriedades medicinais, surgindo depois do delta-9-tetrahydrocannabinol (ou THC), o componente psico-activo da planta. Ambos têm propriedade medicinais, mas a diferença é que o CBD não “dá moca”, daí o potencial terapêutico deste canabinóide, já que pode ser utilizado por crianças e por quem não quer obter os efeitos que atraem os utilizadores recreativos.

Em muitos países, a produção, venda e consumo de CBD extraído de uma estirpe da canábis conhecida como cânhamo, que tem um limite de 0.2% de THC na Europa, é legal e não obriga a receita médica. Na maior parte das vezes, os produtos com CBD são vendidos sob a forma de “Suplemento Alimentar”. Entre os países que permitem a venda de CBD extraído do cânhamo encontram-se o Reino Unido, Holanda, Suíça, Brasil ou o Japão.
_______________________________________________________
Foto de destaque: DR

Deixe uma resposta